Enganem-se minha gente quando acham que cancro mata. Mata sim, mas já não tanto como antigamente. A prova disso? Nicolau Breyner. Deixou-nos a todos em suspenso. Podia tudo ter corrido mal, mas seria expectável. Afinal de contas era cancro, aquele bicho tabu... que os avanços da medicina têm conseguido vencer. Deu-nos esperança, viveu, entreteve-nos mais um pouco. Para quê? Para desaparecer, assim, de surpresa, do nada. Mais uma vez a dar-nos provas da vulnerabilidade humana e das estaísticas portuguesas: as doenças cardiovasculares (DCV), das quais consta o ataque cardíacco, matam mais que o cancro, sendo a principal causa de morte em Portugal. Quando me perguntam porque sou tão cautelosa com a saúde, porque "passo a vida no ginásio" (o que é mentira - apenas cumpro o recomendado pela OMS), porque tenho tanta presa, porque quero tanto, porque quero viver como se não houvesse amanha? Porque lidei demasiado cedo nesta vida com esta vulnerabilidade. Demasiado cedo me apercebi que nada é garantido e que um instante pode mudar tudo para sempre. Se consigo aplicar isso todos os dias em tudo o que faço? Não. Mas tento. Todos os dias (a minha neverending fight). Tento porque esta vulnerabilidade assusta-me, porque conheço uma parte do que ela trás para quem cá fica e garanto que nao é bom. Um dia temos tudo, no outro não temos nada. Enquanto puderem vivam, vivam intensamente, testem-se, insistam, não desistam. Pode haver momentos em que achamos que não, mas aos poucos a vida faz valer a pena. É preciso acreditar. Acreditem... que eu vou fazer o mesmo, mesmo nos dias mais difíceis.
Razão ou emoção? Talvez uma das mais antigas lutas da humanidade... o melhor mesmo é tentar equilibrar as duas
Mostrar mensagens com a etiqueta The never ending fight. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta The never ending fight. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 17 de março de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
domingo, 6 de dezembro de 2015
O grito que me sufoca
Nunca te pedi nada. Nada que fosse impossível. E o que eu queria era tão pouco.
Bastar-me-ia ouvir-te dizer que tivestes saudades minhas, que te fiz falta, que te completo, que me queres por perto... muito perto. Só queria que te sentisses meu. Para que eu me sentisse tua.
Mas talvez o meu pouco seja o teu muito. O meu possível seja o teu imposssível.
Talvez, um dia, nos encontremos no meio termo. Talvez.
Retirado de: Don't Play Games With A Girl Who Can Play Better
terça-feira, 5 de maio de 2015
No caos das voltas da vida
"Mudou a escala na minha vida, mudou o horário e mudou o tempo que vou ter disponível para mim. É cada vez menos e já nem sei como contornar isto, e mais isto, e mais aquilo. Tanta porra de voltas sem parar. Sinto-me atordoada, confusa, baralhada das ideias, sem saber que volta hei-de dar para encontrar o meu equilíbrio e a minha alegria de viver em mais esta cambalhota que não pedi na minha vida. Sinto-me cansada, esgotada de tanto looping, de ora estar de cabeça para baixo, ora de cabeça para cima, sem poder escolher as voltas que quero dar. Fico tonta com tanto rodopiar mas quero acreditar que não vai ser mais este obstáculo que me vai fazer desistir, que vou ser capaz de dar a cambalhota da vida e voltar a ficar na vertical a olhar a vida de frente e na direcção que eu escolhi e que sei que me faz feliz "Às vezes a nossa vida é colocada de cabeça para baixo para que possamos aprender a dar a volta e a viver de cabeça para cima."
Estas palavras escritas pela AC do blog nadadecoisanenhuma são uma descrição perfeita do meu estado e vida atual. Desde há um ano para cá que não vivo em outro cenário que não seja a mudança. Já não sei mais o que fazer, só sei que me sinto confusa em relação à minha própria pessoa, em relação à minha vida e acima de tudo, sinto-me cansada. Tremendamente cansada de não ter sossego, de não ter descanso, de não ter retorno do trabalho e da luta diária, de não ter realmente alguém ao meu lado que me ajude a passar por isto, de me sentir sozinha no meio de tanta gente. Decidi colocar um stop a várias situações no final do mês de Abril, mas decidi que com o início de Maio iria dar início a uma das maiores operações stop da minha vida. Vai ser lento e progressivo. Vai trazer ainda mais mudanças. Mas não posso continuar a afundar-me, a esquecer-me do que sou, do que quero para mim e acima de tudo, não posso continuar a esquecer-me de ser feliz.
Estas palavras escritas pela AC do blog nadadecoisanenhuma são uma descrição perfeita do meu estado e vida atual. Desde há um ano para cá que não vivo em outro cenário que não seja a mudança. Já não sei mais o que fazer, só sei que me sinto confusa em relação à minha própria pessoa, em relação à minha vida e acima de tudo, sinto-me cansada. Tremendamente cansada de não ter sossego, de não ter descanso, de não ter retorno do trabalho e da luta diária, de não ter realmente alguém ao meu lado que me ajude a passar por isto, de me sentir sozinha no meio de tanta gente. Decidi colocar um stop a várias situações no final do mês de Abril, mas decidi que com o início de Maio iria dar início a uma das maiores operações stop da minha vida. Vai ser lento e progressivo. Vai trazer ainda mais mudanças. Mas não posso continuar a afundar-me, a esquecer-me do que sou, do que quero para mim e acima de tudo, não posso continuar a esquecer-me de ser feliz.
Rescaldo de um fim de semana de festa
Fim de semana com feriado à sexta e ainda por cima com festival de tunas daqueles top dos tops só poderia resultar em três dias de muita festa, diversão, mas também muita confusão. Ora vejamos:
5.ª feira - noite de serenata com festa no Bar Académico
- outfit simples mas atrativo
- jantar no sítio de sempre mas com uma tremenda desilusão quanto à qualidade de outrora. Resultado: devido ao meu estômago delicado que não aguenta comidas carregadas de sal, metade do jantar em pouco tempo foi fora :/
- S.Pedro ajudou e a serenata ao ar livre rolou
- finos, finos, finos e mais finos (nota-se bem que sou do norte, não nota? :p )
- encontro e conversa com O Tal... sim porque já não falo nestas coisas há muito tempo... mas tudo a seu tempo... não me convenceu, mas fez-me esquecer o quão chateada estava com ele e perceber que todo o meu corpo treme só de o ver.
- risos e mais risos, boa disposição, reencontros e abraços calorosos
- teria sido uma noite ainda melhor se o meu telemóvel não tivesse ido parar à sanita :/ está claro que morreu pa vida e encontra-se neste momento a testar novamente a teoria do arroz enquanto elemento ressuscitador de smartphones
6.ª feira - primeiro dia de festival
- reencontro de amigas e um brinde à amizade que começou precisamente há dois anos atrás, na mesma alegria e ambiente de festa.
- outfit "arejado" e "provocador"... era uma estreia, não estava muito convencida... fiquei fã!
- porque sou daquelas que gosta de repetir erros - jantar no sitio do costume, mas desta vez cheias de pressa. Resultado: uma mega crise de estômago perante comiga novamente super salgada e cheia de gordura (e eu que tinha pedido peito de frango grelhado precisamente para ser sequinho!!) e parte do espetaculo passada na casa de banho
- E como se não bastasse, a marca oficial da cerveja no festival era Sagres, que eu somente detesto (não sou nada do norte, pois não?). Solução: Só para abrir a noite, siga beber meio copo de uma vez (porque já vão bem longe os tempos em que fazia penalties de cerveja sem dificuldade) para ver se arroto e melhoro. Dito e feito. Fiquei fina e pronta para a noite.
- Chuvinha da grossa, cabelo esticado pó teto, sapatos encharcados
- Discoteca, com antigo colega de casa a trabalhar no bar = bebidas à pala = desgraça!
- Encontros e abraços saudosos, conversas sérias em ambiente de festa e uma MC que anda sensível e frágil resultaram em algo inesperado: pela primeira vez na minha vida fiz um chorinho na noite! Solução nada eficaz: começar a pedir abraços para esconder a cara e ver se passava... qual quê??!! o povo, não sei se era devido à proximidade só me fazia confidências ao ouvido e só pioravam a coisa!
- passou, vieram mais risos, mais copos.
- Sair da discoteca às 8h com o Tal, depois de mais uma grande e boa conversa e a pedir-lhe para ele me vir salvar porque as minhas amigas estavam super chateadas e sabia que ia sobrar para mim.
Sábado
- Acordo a saber que ainda estou para as curvas e mantenho qualidades de antigamente: ressaca = 0
- Tarde de passeio no centro, comigo desligada da terra e ligada na lua...
- Dia em que me apercebo das fragilidades delas, do quanto cresci neste último ano e do quanto me orgulho disso mas que simultaneamente, especificamente neste dia, cria um afastamento em relação a elas
- Outfit de partir tudo!
- Jantar em sítio diferente, novo, acolhedor e com gerência conhecida = tratamento de luxo
- Voltamos à festa, eu mais segura do que nunca mas a não gostar do comportamento delas. Ele novamente a elogiar e a falar comigo coisas de gente grande e coisas sobre nós. Senti que disse demasiado mas fo verdadeiro... acho que paguei por isso no final da noite.
- Orgulhei-me de mim ao longo da noite, lamentei tê-las comigo. Eu fui lá para estar com os meus amigos, divertir-me e relaxar. Não fui para estar num sala diferente, com caras de amuadas, de quem não sabe dar à volta aos problemas quando o momento não é o mais adequado para os resolver.
- Chegar a casa, triste por não ter estado uma única vez com ele, por não me ter conseguido despedir e ainda ter que levar na cabeça, sentir-me incompreendida, mas porque também sei reconhecer que errei, a pedir deculpas.
Domingo
- Vir para casa chateada. Não era assim que era suposto ter vindo deste fim de semana.
- Mandar mensagem ao Tal conforme o que foi falado... ficar ainda mais chateada por ele não mostrar mudanças. Ele até pode ter dito a verdade mas não se esforça por me convencer disso.
- Chegar a casa e querer ter um espaço só para mim, poder relaxar sem me sentir culpada porque fui para a festa... mas isso é algo que simplesmente não acontece dentro destas quatro paredes...
- conclusão: era suposto estar de energias renovadas, cabeça cansada mas fresca, alegre, bem disposta e motivada. Resultado: sinto-me outra vez na m**da, dentro desta prisão sem grades de onde quero, mas não posso voar.
No entanto e apesar de tudo, digo que, em termos de organização, este deve ter sido um dos melhores festivais a fui da Tuna Universitária do Minho. Mais um que fica para a história. :)
quinta-feira, 30 de abril de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Finalmente recomeço a ser eu
Amanhã começo uma nova etapa. Fiz um fim de semana de introspeção e alinhamento de energias. Parece ter resultado. Novidades para breve.
terça-feira, 21 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Um mês e meio depois da tese
O que tens feito MC?
Sabem aquele desejo enorme de descansar, de colocar as ideias no sítio depois de três meses enfiada em casa sempre a trabalhar para terminar a tese??? O dolce fare niente? Aquilo com que eu sonhava ter pelo menos uma semana depois da entrega?? Esqueçam!!! Sinto-me num turbilhão!!! Sem tempo para parar, respirar, organizar-me. Aos poucos tenho tentado colocar ordem nos caos, mas continuo a sentir-me caótica! Vejamos:
- Depois de uma semana praticamente sem dormir para finalizar os últimos detalhes da tese, chego a casa e tenho as minhas amigas à porta com um enorme ar de "surpresa!!": Fizeram fato de carnaval a contar comigo! Senti-me uma felizarda, principalmente depois do momento da entrega ter sido um verdadeiro desastre (nem quero comentar)
- Seguiram-se mais 3 noitadas de Carnaval - não foram nada de especial, mas que souberam muito bem. Afinal ainda era uma pessoa normal com competências de "cúmbíbio".
- Dormi e descansei por três dias. Depois disso rebenta uma bomba nuclear cá em casa que ainda está por resolver mas que veio mexer com as entranhas de tudo e todos na família. Está um ambiente familiar péssimo. Ando a tentar gerí-lo, mas não está fácil. (o que também não está a ser nada fácil é voltar a viver na terrinha, 10 anos depois de ter morado em Braga... mas sobre isso falarei mais tarde)
- Duas semanas depois da entrega da tese recebo um telefonema da Universidade do Minho: "Já entregou a tese? Está interessada em colaborar connosco em X projeto? Precisamos de ajuda por dois meses" - Tenho contrato assinado, para tempo parcial, para colaborar num projeto de investigação e ainda dar umas aulitas pelo meio - yeeaahh!
- Morreu a minha quase avó :( Não falo mais sobre isto...
- Recebo outro telefonema: "É da ARS para confirmar o seu plano de formação". De repente sou formadora num centro de saúde perto de casa no âmbito de um projeto submetido por mim há meio século. Já nem me lembrava! Niiice... Mais trabalho!!!
- Fui num fim de semana a Berlim, em trabalho. bahhh Ainda pensei que fosse dar para aproveitar a tarde de domingo livre mas o S.Pedro estragou-me os planos.
- Sinto que perdi a minha melhor amiga... ou ela é que me perdeu... ainda não sei bem, estou demasiadamente magoada e a processar todos os acontecimentos para poder decidir o que fazer ou dizer... só sei que 22 anos de amizade parecem ter ido pelo cano abaixo por coisas absolutamente mesquinhas mas deveras manipuladas e influenciadas por pessoas que nos rodeiam... (acho que também estou a precisar de "deitar cá para fora" coisas sobre este assunto)
- Inscrevi-me num ginásio yeeahhh!!! Ando aqui que não me mexo depois de dois meses parada mas tive que ir bater na freguesia ao lado porque quando fui ao pavilhão desportivo perguntar "E aulas de cycling, tem? "Que é isso menina?? Spinning? (cara ainda mais parva) Pronto, deixe lá isso..." Quando puder também vos apresento o fenómeno do entroncamento em que vivo! Santa paciência!
- Conheci e interessei-me por um moço... que sei que é muito bom moço, das melhores coisinhas e do mais bem intencionado que me apareceu à frente desde há séculos!... mas eu e o meu problema com "relacionamentos/ eventuais amostras de homens adequados para a minha pessoa mas que eu insisto em despresar" já lhe estou a por defeitos, e a dizer que não dá e ainda só fomos ao cinema e tomar uns cafés mas eu já me sinto asfixiada... tenho também que resolver isto
E acho que já chega não??? Aos poucos vou tentar falar sobre estas novidades porque sinto-me a explodir por dentro e essa sensação não vai passar enquanto não escrever sobre tudo!
Sabem aquele desejo enorme de descansar, de colocar as ideias no sítio depois de três meses enfiada em casa sempre a trabalhar para terminar a tese??? O dolce fare niente? Aquilo com que eu sonhava ter pelo menos uma semana depois da entrega?? Esqueçam!!! Sinto-me num turbilhão!!! Sem tempo para parar, respirar, organizar-me. Aos poucos tenho tentado colocar ordem nos caos, mas continuo a sentir-me caótica! Vejamos:
- Depois de uma semana praticamente sem dormir para finalizar os últimos detalhes da tese, chego a casa e tenho as minhas amigas à porta com um enorme ar de "surpresa!!": Fizeram fato de carnaval a contar comigo! Senti-me uma felizarda, principalmente depois do momento da entrega ter sido um verdadeiro desastre (nem quero comentar)
- Seguiram-se mais 3 noitadas de Carnaval - não foram nada de especial, mas que souberam muito bem. Afinal ainda era uma pessoa normal com competências de "cúmbíbio".
- Dormi e descansei por três dias. Depois disso rebenta uma bomba nuclear cá em casa que ainda está por resolver mas que veio mexer com as entranhas de tudo e todos na família. Está um ambiente familiar péssimo. Ando a tentar gerí-lo, mas não está fácil. (o que também não está a ser nada fácil é voltar a viver na terrinha, 10 anos depois de ter morado em Braga... mas sobre isso falarei mais tarde)
- Duas semanas depois da entrega da tese recebo um telefonema da Universidade do Minho: "Já entregou a tese? Está interessada em colaborar connosco em X projeto? Precisamos de ajuda por dois meses" - Tenho contrato assinado, para tempo parcial, para colaborar num projeto de investigação e ainda dar umas aulitas pelo meio - yeeaahh!
- Morreu a minha quase avó :( Não falo mais sobre isto...
- Recebo outro telefonema: "É da ARS para confirmar o seu plano de formação". De repente sou formadora num centro de saúde perto de casa no âmbito de um projeto submetido por mim há meio século. Já nem me lembrava! Niiice... Mais trabalho!!!
- Fui num fim de semana a Berlim, em trabalho. bahhh Ainda pensei que fosse dar para aproveitar a tarde de domingo livre mas o S.Pedro estragou-me os planos.
- Sinto que perdi a minha melhor amiga... ou ela é que me perdeu... ainda não sei bem, estou demasiadamente magoada e a processar todos os acontecimentos para poder decidir o que fazer ou dizer... só sei que 22 anos de amizade parecem ter ido pelo cano abaixo por coisas absolutamente mesquinhas mas deveras manipuladas e influenciadas por pessoas que nos rodeiam... (acho que também estou a precisar de "deitar cá para fora" coisas sobre este assunto)
- Inscrevi-me num ginásio yeeahhh!!! Ando aqui que não me mexo depois de dois meses parada mas tive que ir bater na freguesia ao lado porque quando fui ao pavilhão desportivo perguntar "E aulas de cycling, tem? "Que é isso menina?? Spinning? (cara ainda mais parva) Pronto, deixe lá isso..." Quando puder também vos apresento o fenómeno do entroncamento em que vivo! Santa paciência!
- Conheci e interessei-me por um moço... que sei que é muito bom moço, das melhores coisinhas e do mais bem intencionado que me apareceu à frente desde há séculos!... mas eu e o meu problema com "relacionamentos/ eventuais amostras de homens adequados para a minha pessoa mas que eu insisto em despresar" já lhe estou a por defeitos, e a dizer que não dá e ainda só fomos ao cinema e tomar uns cafés mas eu já me sinto asfixiada... tenho também que resolver isto
E acho que já chega não??? Aos poucos vou tentar falar sobre estas novidades porque sinto-me a explodir por dentro e essa sensação não vai passar enquanto não escrever sobre tudo!
segunda-feira, 23 de março de 2015
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"
A elaboração da presente Tese de Doutoramento foi
uma trajetória longa e marcada por inúmeros desafios, incertezas, deceções, surpresas,
alegrias e vitórias. Trilhar este caminho implicou a mobilização de uma grande
energia, vontade e perseverança que trouxeram consigo força, vigor e uma enorme
evolução e crescimento pessoal e profissional.
Assim começam os agradecimentos da minha tese. Quando entrei na aventura do Programa Doutoral em Setembro de 2010 estava longe de imaginar tudo quanto estava para vir... tanto de bom como de mau. Foi um percurso que começou bem, extremamente bem, mas que se tornou sofrido, extremamente sofrido e solitário. Dizem que é assim mesmo, que "faz parte do processo", mas passei por situações profissionais e pessoais que não desejo a ninguém, vivendo tudo quase sempre sozinha, procurando gerir da melhor forma possível as minhas lutas internas, mostrando uma pequena parte delas a muito poucas pessoas.... muito poucas mesmo. Fui percebendo ao longo do tempo que nem todas as lutas podem ser partilhadas; que nem todos os que se dizem disponíveis estão assim tão disponíveis; que, por muito que custe, há alturas em que temos de selecionar quem nos rodeia, percebendo, de verdade, quem nos faz e quer bem e que é com esses que devemos investir e esgotar os nossos recursos e atenção.
Ao longo deste percurso e, principalmente, na etapa final pude perceber quem realmente me aceita como sou. Com todos os meus altos e baixos, com todas as minhas dúvidas e incertezas, com todas as tendências de workholic - extremamente necessárias na etapa final. Pude perceber quem eram de verdade os meus amigos, quem esteve sempre comigo, mesmo não estando; quem, apesar das dificuldades das suas próprias vidas, nunca deixou de se lembrar de mim. Entre os psicólogos, é sabido que o apoio social é fundamental na vida de todos nós. Sempre fui uma pessoa sozinha... sozinha com os meus botões, com "as minhas coisas"... talvez ser filha única tenha contribuído para isso. Mas preciso dos meus momentos comigo mesma. Sempre precisei. Mas preciso na mesma medida de saber que tenho bons amigos por perto, a quem me dedico porque merecem e porque sinto neles a mesma dedicação em relação a mim. De todas as experiências que vivi ao longo de todo o percurso do doutoramento, foram as transformações na rede de amigos que mais me marcaram. Talvez o facto de eu própria ter mudado tenha contribuído para essas alterações. Algumas foram uma surpresa positiva, outras nem por isso, outras ainda hoje lamento o modo como terminaram. Mas pelos vistos também isso "faz parte do processo".
Sim, ao longo destes quatro anos e meio (nossa!!) cresci imenso enquanto pessoa e enquanto profissional, Perdi-me, bati no fundo do poço, estive perto de desistir, mas ergui-me sozinha, indo buscar forças, energia e motivação nem eu sei bem aonde. Acima de tudo, sei o que me levou lá, sei o quão mau é estar nessas circunstâncias de vida, sei o quão difícil é a escala até ao cimo do poço e sei que não quero lá voltar. Foi extremamente difícil. Mas passo a passo aprendi a dar valor a mim mesma, aprendi a respeitar-me novamente, a acreditar em mim novamente. Redescobri-me. Apercebi-me de alguns dos meus limites. Procurei contornar uns, ultrapassar outros e aceitar aqueles que não podiam ser modificados. Fiquei espantada comigo mesma e com a minha capacidade de gerir a exaustão, de lidar com adversidade, de me sacrificar, de me auto-motivar, de querer mais e mais.
A entrega da tese ainda não representa totalmente o fim de uma etapa. Essa sensação só acontecerá verdadeiramente depois da defesa. Mas foi sem dúvida um alívio enorme. Uma sensação de satisfação, de realização pessoal. "Consegui, contra tudo e contra todos." Venci e venci bem. Apesar das coisas más, procurei sempre aproveitar tudo o que me foi sendo proporcionado e encontrar sempre o lado positivo em tudo. Pude viajar, pude contactar pessoas e frequentar grupos e espaços que nunca na vida pensei poder vir a frequentar. Conheci grande parte da Europa, tenho publicações internacionais no meu currículo e tive uma função de relevo numa das maiores sociedades europeias de Psicologia. Aprendi a sonhar, a desejar um bocadinho mais (algo que me incutiram desde pequena que não poderia fazer). A fasquia subiu, mas mantenho os pés na terra. Redefini objetivos e aspirações de vida. Sei agora um pouco melhor do que quero para o meu futuro, tanto pessoal como profissional. Sei também que foge a muitos dos padrões convencionais da nossa sociedade e do meu núcleo de amigos. Sei que ainda vou ter muitas lutas para travar. Mas hoje sou eu pessoa muito mais segura de mim e um pouco mais conciliada comigo mesma. Terminar o doutoramento representa, sem dúvida, uma fase crítica e difícil. Mas, ao olhar para trás, estou tremendamente contente por tudo o me aconteceu e continuo a acreditar que será um esforço que aos pouco será recompensado e terá tudo valido a pena.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Amanhã há mais
"Eu acho que gente que faz e faz muito tem muito valor. Reclama, claro, mas com direito. Porque luta, porque luta muito e por vezes não consegue. Mas hoje desiste (ou faz uma pausa) mas amanhã retoma. E volta a lutar."
"Mensagem dos Anjos", do blog "Ronhonhó, ronhonhó, ronhonhó".
Ao ler o texto, dei por mim a recuar dois anos atrás na minha vida. Recuei a uma altura em que senti exatamente o mesmo. Em que passei pela mesma sensação, pela perceção e compreensão das escolhas - dos outros - que em muito contribuiram para as minhas. Tinha caído, mas estava-me a erguer, estava a acordar. Desde então que que acordar se tornou sinónimo de luta. Não que antes não o fosse. Mas agora era diferente. Com a queda arrastei muita coisa pelo caminho. Era preciso reconstruir - a minha pessoa e o mundo à minha volta. O meu mundo. Desde o momento em que decidi acordar e lutar, que tem sido uma luta diária. Umas vezes sucedidas, outras nem por isso. E pelo meio nasceu este "The never-ending fight". Porque desde sempre a senti. Porque depois deste novo acordar percebi que o que defini querer para mim, porque o mereço, porque sou esforçada em tudo o que faço, porque sou dedicada, exige esta luta. Porque é uma luta interna pelo querer ser melhor (não do que os outros, mas melhorar-me enquanto pessoa) e pelo querer fazer melhor. Passei (continuo a passar) por coisas complicadas. Mas continuo a tentar e continuarei, mesmo quando todos os esforços parecem em vão. Hoje foi um desses dias. Foi um dia que apeteceu desistir. Portanto, hoje faço uma pausa. Vou dar-me o dascanso que preciso. Recuperar forças. Amanhã é outro dia. Amanhã há mais.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Incomodo-te e ainda nem me conheces
Cenário:
Melhor amiga: eu, euzinha, MC... Não que me considere a brasa da região (não de todo!), mas há quem diga que o meu metro e meio de gente tem um je ne sais quoi que impressiona algumas pessoas
Ele: o melhor amigo, meu e agora dela também (convém que seja!)
Ela: às vezes alguém conhecido, mesmo que seja de vista, outras vezes alguém completamente anónima para a minha pessoa, pelo menos fisicamente, embora pareça que já a conheça dele me falar dela. Às vezes nem chego a conhecê-las pessoalmente, mas enfim.
Enredo: exatamente o do filme, adicionando o facto de que hoje em dia há Facebook, no meu caso não disponível para estranhos, mas completamente livre de acesso àqueles que considero meus amigos. Ou seja, basta ele deixar o face aberto e lá vão elas espreitar. Se eu tenho muitas fotos ou daquelas ousadas ou coisas do género??? Nepia! Nunca gostei disso, nem sou dada a isso e raramente coloco fotos no face (pelo menos atualmente, o crescer trás destas coisas). Mas tenho mamas (dizem que é algo que conta bastante - quanto a isso não posso fazer nada!), um certo je ne sais quoi, um sorriso sempre estampado no rosto e uma postura que incomoda muita gente por não querer saber daquilo que os outros pensam ou deixam de pensar, por ser eu, por ser livre, por ser feliz com pequenas coisas, por me afastar de tudo seja fofoca ou gossip feminino, por evitar julgar.
Resultado: Infelizmente bem diferente do do filme. Na melhor das hipóteses dá-se um afastamento. Porque elas não gostam de mim (mesmo sem me conhecerem!) e eles, paus mandados e inseguros que se tornam quando o seu estado muda de "solteiro" para "num relacionamento com", deixam que isso aconteça para fazerem a vontade às meninas e porque se não o fizerem, elas vão deixar de gostar deles e coitadinhos vão ficar sozinhos novamente, mas vá lá, que ainda que meio em segredo ou sem elas saberem lá vão mantendo o contacto! Na pior das hipóteses, lá sou eu incomodada, com mensagem privada pelo face - normalmente sem eles saberem - ou simplesmente a darem-me um "chega pra lá que ele agora é meu! (oh minha rica filha! sacia-te à vontade!) ou algumas partem logo pa ameaça (uuhh medo!) e o caminho acaba invariavelmente num afastamento brutal (pergunto-me então se ele era assim tão meu amigo ou se eu o conhecia realmente).
Já perdi a conta aos amigos que perdi e se afastaram por causa delas, as inseguras, que julgam à partida e que não dão a elas próprias a oportunidade de me conhecerem (pessoa fantástica que sou!) e de perceberem que o meu interesse no moço que é delas, é nulo. Culpo-os também a eles por não se afirmarem e não criarem oportunidades de encontro. E a vida segue, cada um para seu lado. Eu, às vezes com uma sensação de vazio pela falta que eles me fazem; eles seguem, espero eu, felizes com as suas novas vidas.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Maria Caxuxa, igual a si mesma
As reticências... uso e abuso delas. É a forma que arranjo p'ra não dar o meu pensamento por terminado, p'ra dar a entender que tenho mais p'ra dizer... Como quando não fechamos a porta, mas apenas a encostamos p'ra que seja mais fácil alguém entrar, sem precisar de bater... Lido mal com os pontos finais. São castradores. Não me deixam espaço, impõem-me limites, cortam-me as asas.
A minha vida deveria ser como a minha escrita, cheia de reticências... Não das que denunciam dúvidas, hesitações, mas daquelas que traçam avenidas que se enchem de gente, onde ecoam risos e se oferecem abraços a troco de nada...
A ironia é que sou uma mulher que distribui pontos finais. E se uns são merecidos, outros nem por isso. Preciso de aprender a dar o benefício da dúvida, a conceder oportunidades, a deixar de ter medo. Medo de que gostem de mim."
Retirado de Don't Play Games With A Girl Who Can Play Better
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
I'm finish with NY...
... or let's just say... Braga. Nunca pensei que esta seria a sensação que teria ao abandonar esta cidade... tão minha... tão símbolo de liberdade e independência para mim... tão cheia de vida e de histórias para contar. Mas a verdade é que desde que decidi que estava na hora de ir embora que a sensação de que o meu tempo aqui acabou, que já não tenho mais nada aqui, que já não há nada aqui para mim me tem ocorrido de tempos a tempos e inicialmente com uma força tal que arrumei parte das minhas coisas em dois fins de semana.
Escrevi isto no início de Julho quando me despedi de 10anos de vivência em Braga. Estou de regresso à terrinha vai agora para o terceiro mês e não tem sido mau de todo. Há momentos em que me sinto estrangeira na minha própria terra. Estou constantemente à procura de serviços a que estava habituada a ter ao lado de casa e que agora tenho de fazer quilómetros para os conseguir. Mas sabia que iria ser assim. Acima de tudo não tenho saudades de morar em Braga. Tenho saudades das pessoas, do ambiente, dos cafés e das noites e encontros inesperados... mas não muito. Aqui não tem sido mau... apenas menos entusiasmante, menos inesperado e com menos novidades. Mas estou contente. Entrei nesta espécie de limbo ou redoma. Estou concentrada no trabalho, no futuro e em evoluir. Sinto um desejo enorme de evoluir, andar para a frente, sem medo, mas com medo e Braga estava-me a puxar para trás. Desta vez não há regresso... e não me sinto nem um pouco triste por isso.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Um caso perdido
Escolheste a outra. As diferenças na forma como a tratas fazem-me pensar que de facto nunca fui para ti tanto quando me dizias e me fazias acreditar. Porque este que eu agora vejo e que faz tudo por ela, foi aquele que conheci durante um ano, antes "das circunstâncias" mudarem, e que sempre soube que estava aí. Acho que, no fundo, andei este tempo todo a tentar que o homem carinhoso, respeitador, encantador e compreensivo que conheci voltasse. Vivi sempre na esperança que ele surgisse novamente porque nunca percebi porque é passei do "vales mais do que a pena" ao rigoramente nada. Mas a esperança é uma ilusão e eu não quis ver o que de facto se passava. Não quis acreditar que alguém que me tratou como nunca ninguém me tratou na vida, se pudesse ter transformado em alguém tão frio e insensível. Porque conseguia ver pequenos rasgos to teu "eu" antigo em algumas coisas que dizias e fazias e isso alimentava a minha ilusão. Dava-me a certeza que aquele que eu conheci ainda estava aí mesmo quando de ti só recebia desrespeito e desconsideração. Mas não te culpo só a ti. Uma parte de mim permitiu que isso acontecesse. Dei-te de bandeja a minha disponibilidade simplesmente por seres tu e por todo o conforto e bem-estar que cheguei a sentir ao teu lado. Deixei passar muitas coisas em branco sem nunca reclamar ou mostrar a minha posição. Permiti que te sentisses impune, rei tirano que tudo pode fazer e dizer sem nunca ser chamado a atenção e, apesar disso, ser continuamente adorado. Uma necessidade de aprovação desmedida e barreiras que dizia serem tuas, mas que afinal eram minhas levaram-me a perder-te. Pena que só me aperceba disso agora, quando para ti, já há muito que eu era um caso perdido.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O regresso à realidade...
... após uma semana simplesmente fantástica na Áustria, seguida de outra semana com muito trabalho, mas muito recompensadora na qual ainda me senti lá e não cá e após uns últimos dias de descanso... está a ser assim:
... péssimo, simplesmente péssimo!
sábado, 9 de agosto de 2014
Dá que pensar...
Estão demasiadas coisas a mudar e a acontecer na minha vida. Tantas que nem sei mais o que pensar, fazer ou sentir. Estou sem vontade para o blog, sem vontade para o doutoramento, sem vontade para nada. Andava tudo a correr tão bem... Estava tudo tão bem... E de um dia para o outro, andei dois meses para trás. E agora? Vão passar mais 6 meses de luta até que as coisas boas voltem a acontecer??? Terei de passar por tudo outra vez? Será que as coisas têm mesmo de ser assim? E enquanto isso? Entrarei no modo robôt novamente, sempre com aquela sensação de vazio, medo, tristeza e aperto no coração? Sou forte, mas não sou de ferro e desta vez sinto-me realmente perdida, sem apoio, sozinha e sem saber o que fazer. Desta vez, está a ser difícil, demasiadamente difícil dar a volta.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Subscrever:
Mensagens (Atom)





