Razão ou emoção? Talvez uma das mais antigas lutas da humanidade... o melhor mesmo é tentar equilibrar as duas

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O meu mundo em mudança...

... é um mundo em que:

- já não sou estudante. Agora trabalho para uma instituição reconhecida, num projeto que não é meu, que ainda estou com dificuldades em abraçar depois de ter estado 4 anos sempre de volta do mesmo tema. Passar de obesidade para jovens delinquentes está ser mesmo muito brusco e estou com dificuldades em lidar com a pressão no trabalho.

- já não tenho a N. como melhor amiga - talvez nem como amiga no verdadeiro sentido da palavra - e esta, sem que tenha real noção disso, está a ser uma perda e mudança extremamente difícil para mim. Ainda nem sequer estou em fase de recuperação. Continuo na fase de choque.

- sou adulta à seria, com contas para pagar, descontos e impostos; ando sempre a pensar nos tostões, para ver se consigo além das obrigações, guardar algum e pelo meio comprar uns miminhos para mim. Não me estou a dar mal, sei que sou controlada, poupada e organizada, mas ainda me sinto aflita e entro em pânico perante a possibilidade de não conseguir pagar as minhas coisas.

- assumi demasiadas responsabilidades familiares e que agora à distância tudo se torna mais difícil de gerir. Não tenho sequer opção ou alternativa pois sou filha única e não há mais ninguém (tios, padrinhos, madrinhas, etc à volta que possam ajudar)

- me tornei mais precavida, desconfiada e reservada.

- deixei de querer flirts e querer coisas à séria, mesmo sabendo que isso pa mim é complicado. Estou cada vez mais consciente de alguns do meu erro do passado e ando a tentar mudar isso... mas está a ser também realmente difícil, principalmente, quando essa mudança pode vir a implicar outra grande perda na minha vida.

- já nao sou a party girl de antigamente. Já prefiro um bom ambiente, um bom serão e boa conversa mesmo que seja até de manhã - não significa que as noitadas tenham acabado - do que ir pa um sítio cheio de gente - normalmente homens à caça - com música que não vale nada. Já nem dá para dançar como antes... e disso sim, sinto muita falta.

- sei quem quero e não quero ter à minha beira mesmo que isso impleque pouca gente à minha volta.

- continuo a analisar e reanalisar e a tentar melhorar a minha pessoa. Preocupo-me demasiado em ser correta em todas as situações e para com todos os que me rodeiam, mesmo aqueles que não merecem isso de mim. Permito comportamentos nos outros que me prejudicam, que me fazem sentir mal e mesmo sabendo isso tenho dificuldades em mandar essas pessoas embora da minha vida. Temo sempre demasiado as consequências de uma má ação, pois o futuro é incerto e gosta de pregar partidas.

- e por último (suspiro)... eu tentei, fugi a sete pés, procurei manter-me distante, mas foi sempre mais forte do que eu; dei para trás, neguei, mas ele soube conquistar o espaço dele; soube respeitar a minha necessidade de estar sozinha e afastada e soube voltar no momento certo; nunca desistiu; esteve sempre lá. Até que, sem que desse conta e contra a minha vontade, ganhou um lugar especial no meu coração. Fod***, tenho medo de me ter apaixonado... novamente pela pessoa errada.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Fora da zona de controlo

Continuo à procura da minha energia, vontade de viver, força, alegria. Sinto-me esgotada. Por tudo o que aconteceu ao longo do último ano e por tudo o que está a acontecer atualmente. E o pior é sentir que não tenho ninguém com quem possa falar, comentar verdadeiramene tudo quanto se passa comigo. Nunca fui de máscaras. "What you see, is what you get". Mas há meses que todos os dias coloco uma máscara para esconder o que verdadeiramente se passa comigo. 
Uma incapacidade enorme em me sentir em paz, tranquila, feliz. Vivo constantemente sobresaltada, atenta, à escuta. Sinto que não posso baixar a guarda. O meu mundo deixou de ser confiável e seguro. Eu pessoa que confiava à partida, sem medo, deixei de confiar. Eu que mantinha o controlo e organização no caos, sinto-me com pouco controlo sobre a minha vida e a viver num estado de desorientação constante. Não consigo pensar devidamente, não consigo organizar-me, sinto-me oca por dentro. A minha determinação foi-se. Não sei o que quero. Tenho dificuldades em decidir até se quero kiwi ou maçã para o pequeno almoço. Faço tudo de forma mecânica, incapaz de sentir. É como se me tivesse proibido de sentir e apenas mantenha acionado o botão "protege-te". Deixei de ser livre. Passei a viver no medo e a organizar a minha vida em modo "precaução, avaliação de consequências futuras". Achava que o problema era do sítio em que estava a morar. Receava que me afetasse e pelos vistos, após um ano de estadia naquele ambiente hostil, fiquei afetada. Achava que tudo ia melhorar com a mudança para Braga (ainda nem isso sinto que aconteceu mesmo, ainda nem pude apreciar o "estar de volta"). Afinal o problema está comigo e em mim. Quero acreditar que as minhas expectativas não ver ser defraudadas. Quero acreditar que, mais uma vez, vou dar a volta. O problemas é que desta vez sinto-me esgotada, cansada e, acima de tudo, sem recursos para sacudir esta nuvem. Preciso parar. Recuperar. Reencontrar um novo ponto de equilíbrio. Voltar a acreditar que tudo vai dar certo.

E no final deste post percebo, que todo este turbilhão, advém da mudança. Está a acontecer todo um mundo novo, em mim e à minha volta e se calhar só agora estou a perceber isso. 


sábado, 15 de agosto de 2015

Quando o nosso porto seguro nos falha...

E a vontade de escrever voltou. Não que tivesse alguma vez deixado de existir. Simplesmente a vida tem me pregado tantas partidas que, vir aqui, ao meu cantinho, tornou-se a última das minhas prioridades. Algumas dessas partidas não são más, pelo contrário! Outras são realmente péssimas. Escrevo, hoje, triste. Pela terceira vez este ano, aconteceram-me coisas realmente marcantes e positivas para a minha vida e pela terceira vez vi esses momentos de felicidade arruinados pelos meus pais. Sim, aqueles que mais prezo, mais confio, mais dou valor nesta vida, foram os mesmos que, apesar de os saber verdadeiramente contentes pelos feitos que tenho conseguido alcançar, devido aos seus medos, ansiedades, maneiras de ser e "calejado" da vida, me têm estragado momentos tão desejados e finalmente alcançados mas que irão ser recordados por mim, com alguns sentimentos de alegria mas, infelizmente, com tristeza. Muita tristeza e sofrimento que seriam dispensáveis se existisse uma maior abertura para o diálogo, para a aprendizagem, para a partilha sensata e racional e sem resentimentos. 

Ao longo destes último meses vi-me a concretizar objetivos há muito almejados: entreguei a tese de doutoramento, o que foi vivido com grande alívio; fiz uma defesa absolutamente brilhante e que me fez acreditar, finalmente, nas minhas competências e no meu trabalho; e, após dois anos de desemprego, arranjei trabalho: primeiro a fazer umas coisinhas aqui e ali, mas, a partir de setembro serei bolseira de investigação, pelo menos durante um ano, no sitio onde queria, com a equipa que queria. Vou assim poder sair da terriola que tanto odeio e amo simultaneamente e regressar à minha cidade do coração: Braga. Volto como mulher independente: vou morar sozinha e pagar as minhas próprias contas na zona em que queria, mas não na casa que, ao visitar, senti que era minha. Esse aliás tem sido o motivo de desavença mais recente com os meus pais. Quis ser correta ao mostrar-lhes as duas opções que me dividiam o coração, mas no fundo com uma escolha já feita. Tudo foi por água abaixo, fizeram-me reconsiderar e eu, mais uma vez, para evitar males maiores no futuro, mas também reconhecendo o poder de alguns argumentos apresentados, coloquei a vontade do meu pai à frente da minha. 

Entrei numa luta que terminou com um sentimento de injustiça enorme. O meu pai falhou para comigo quando lhe pedi ajuda e não o admite e para cúmulo, depois de, ao final de uma semana, ter finalmente encontrado uma outra alternativa viável - que agrada a ele mas não a mim - ainda tenho que levar com o mau humor dele, com ele a não me dirigir uma única palavra e ainda ser acusada pela minha mãe de "deixar andar e não resolver as coisas" e de "estar sempre contra ela". 

Há muito que trago comigo em sentimento de solidão. Mas nunca me senti tão sozinha e tão abandonada como hoje.